Grandes clientes, parcerias estratégicas e tecnologia. Na conferência Google Cloud NEXT 2017 a empresa prova que fez, muito bem, a lição de casa
Que se preparem Amazon, Microsoft e IBM, porque a briga agora esquentou. Em um evento com mais de 10 mil pessoas em San Francisco (Califórnia) a Google mostrou que passou o último ano fazendo, e muito bem, sua lição de casa e que está preparada para brigar a sério pelo mercado corporativo de nuvem com a Google Cloud Platform (GCP).
Nesta quarta-feira (08/03), primeiro dia da conferência Google Cloud Next 2017, Diane Greene, vice-presidente sênior da Google Cloud, juntou no palco grandes clientes (HSBC, Disney, eBay, Colgate-Palmolive, Verizon, HomeDepot); parceiros estratégicos de peso (SAP) e alta tecnologia, provando que tem resultados concretos para convencer os CIOs a acelerar sua jornada para a nuvem, de preferência por meio da Google Cloud e da G Suite.
Na véspera, a companhia já tinha feito vários anúncios estratégicos delineando sua nova política de preços, a lista de parceiros de tecnologia e canal, plataformas de treinamento e de desenvolvimento. E materializou tudo isso nos três andares do Moscone Center, em San Francisco, com estandes e salas para apresentações e certificações.
Foco no cliente
Diane Greene é hoje a mulher mais poderosa da nuvem da Google e a responsável por fazer do Google Cloud um negócio de fato, com foco no cliente corporativo e com todas as peças típicas de uma operação B2B no lugar certo. "Diane é uma desbravadora da tecnologia da computação", saudou Sundar Pichai, CEO da Google, em uma breve aparição no palco da NEXT 2017, suficiente para provar que a executiva, que entrou na Google no final de 2015, tem o endosso da companhia para avançar.
A Google não era até pouco tempo considerada uma empresa com foco no mercado corporativo. A estratégia de nuvem da companhia precisa ser olhada antes e depois de Diane Greene. A executiva, que é co-fundadora da VMware, foi instrumental para reunir as peças de alta tecnologia que a Google já possuía (backbone, infraestrutura e engenharia), combiná-las com as parcerias e políticas estratégicas de mercado e fazer disso tudo uma oferta consistente para o mercado corporativo.
No ano passado, o Gartner colocava a Google na categoria "estágio rudimentar" de interação com clientes corporativos no seu Quadrante Mágico de cloud computing. Nesta quarta-feira, o vice-presidente de pesquisas do Gartner, David Mitchell Smith, disse por email à Computerworld que a diferença desse ano para o Google é "como mudar da noite para o dia".
A tecnologia na equação
De fato, os casos de clientes apresentados sinalizam confiança na tecnologia. A Colgate-Palmolive migrou 28 mil funcionários para o conjunto de aplicativos de produtividade G Suite, no ano passado, e passou 23 mil funcionários para a nuvem em um final de semana. A Verizon planeja liberar 115 mil instalações de G Suite este ano.
Disney, eBay, Home Depot e HSBC destacaram o uso que fazem dos serviços da plataforma de cloud da Google para empoderar seus negócios. No caso da Home Depot, por exemplo, que transferiu uma porção importante de sua operação de ecommerce para a infraestrutura da Google Cloud Platform, o sucesso foi medido durante o pico de acessos e vendas da Black Friday e da Cyber Monday, que rodaram sem falhas, segundo o vice-presidente senior de tecnologia da informação, Paul Gaffney.
"A cloud computing é uma tecnologia de transformação. E eu acredito que a nuvem com a melhor tecnologia é a melhor nuvem", diz Diane Greene. Para a executiva, as empresas agora olham para a nuvem não apenas como uma forma de solucionar falta de espaço de armazenamento e sim como uma plataforma para a qual vão mover suas aplicações de missão crítica e seus dados para, usando ferramentas de analytics e machine learning, transformar os negócios e sua capacidade de decisão.
Nesse momento, a Google está tratando de acenar para os CIOs com uma solução bem atraente para o primeiro desafio de migração para uma infraestrutura de nuvem: a confiabilidade da plataforma e a velocidade da migração. "Vão para a nuvem agora", diz Eric Schmidt, presidente da Alphabet, "e vocês poderão se planejar para ter sucesso global e expansão infinita".
Schmidt falou durante a abertura da NEXT 2017 acenando para a audiência com exemplos da confiabilidade da Google em hospedar e aguentar gigantescas cargas de acesso e transações ao citar dois clientes emblemáticos da área de tecnologia: a Niantic, dona do PokémonGO, e a Snap, dona do Snapchat.
Velocidade
"Nós podemos lhes oferecer as duas coisas: grande nuvem e grande tecnologia na nuvem", disse Schmitd. Para as empresas que ainda relutam em pensar cloud, o executivo acena primeiro com a economia: "mova para a infraestrutura de nuvem e pense que é mais barato e que essa economia deixa dinheiro para fazer as inovações que você precisa".
Mas tanto Greene quanto Schmdit mostraram que a Google está de olho no que vem depois da infraestrutura, que é o tipo de aplicações que podem ser desenvolvidas com os dados, em big data, analytics e machine learning, para decisões de negócios. "É nessa hora que você deixa de programar para fazer aplicações que mudam a forma de resolver problemas. Isso nós da Google podemos fazer com você. Temos engenheiros, infraestrutura e tecnologia", disse Schmidt.
"Estamos olhando os projetos de conversão para a nuvem em meses, porque o tempo é tudo. Se você tem containers, ou se tem hadoop, nós fazemos. Fizemos um investimento gigante para ajudar você a escalar seus negócios. E eu sei que foi muito dinheiro porque eu aprovei", brincou o executivo.
* A jornalista Silvia Bassi viajou para San Francisco a convite da Google

Aquisição da empresa de tecnologia para carros conectados é a maior da história da companhia sul-coreana
A Samsung conclui a compra da empresa Harman International Industries nesta semana pelo valor de US$ 8 bilhões. A companhia havia anunciado que compraria a empresa americana de tecnologia de entretenimento para carros em novembro do ano passado.
A Harman é dona de diferentes marcas, incluindo Harman Kardon, AKG e JBL, e recentemente fechou grandes negócios com grupos como Fiat Chrysler e General Motors.
“A Harman complementa perfeitamente a Samsung em termos de tecnologias, produtos e soluções, e unir forças é uma extensão natural da estratégia automotiva que estamos buscando já há algum tempo. Essa aquisição imediatamente estabelece uma fundação forte para a Samsung crescer sua plataforma automotiva”, afirmou o CEO da Samsung, Oh-Hyun Kwon, na ocasião do primeiro anúncio.
Trata-se da maior aquisição já feita pela Samsung, e reforça que a sul-coreana está apostando alto no setor de carros conectados a exemplo de outras gigantes do mercado de tecnologia, como Google e Apple.
Em meio a novos lançamentos de LG, Moto, Sony, BlackBerry e Alcatel, foi um simples feature-phone que causou mais comoção em Barcelona.
Pela primeira vez nos últimos sem receber um novo Samsung Galaxy S, o Mobile World Congress, encerrado nesta quinta-feira, 2/3, acabou sendo palco de uma disputa ferrenha entre diversas fabricantes, como LG, Motorola, Sony e Huawei,
todas querendo obviamente ocupar o lugar da gigante sul-coreana como o maior destaque em smartphones no evento de tecnologia realizado em Barcelona.
Mas, no fim das contas, o aparelho que mais acabou chamando a atenção entre os usuários e os veículos foi o bom e velho Nokia 3310, feature phone bem básico que fez sucesso no início dos anos 2000 (naquele já tão distante mundo pré-
iPhone) e acaba de ganhar uma nova versão repaginada pelas mãos da finlandesa HMD Global, que licenciou a marca da Nokia para smartphones e celulares.
Durante todos os dias do MWC 2017, o stand com os novos smartphones Nokia da HMD era sem dúvidas um dos mais disputados, se não o mais, com muitas e muitas pessoas se apinhando no espaço para colocar as mãos no já citado 3310 e também
nos recém-apresentados aparelhos Android, Nokia 3 e 5 – além do próprio Nokia 6 (foto abaixo), que estava restrito ao mercado chinês até então.
Óbvio que a questão da nostalgia fala muito alto num caso como esse, assim como aconteceu recentemente com a nova versão do NES (conhecido no Brasil como Nintendinho), que vendeu milhões de unidades em poucas semanas nos EUA. Mas fica
claro que foi um tiro certeiro da HMD e que pode ajudar a atrair atenção para os novos smartphones Nokia 3, 4 e 5, todos com sistema Android e configurações entre básicas e intermediárias.
BlackBerry volta com Android e teclado físico
A chinesa TLC, que também fabrica os smartphones Alcatel, parece querer colocar a marca BlackBerry de volta ao topo do mercado, posição que perdeu rapidamente após o lançamento do iPhone, em 2007 – hoje o sistema da BlackBerry responde
por menos de 1% dos smartphones do mundo.
Pois bem, o novo BlackBerry KEYone, apresentado durante o MWC 2017, tem uma tela de 4,5 polegadas, touchscreen, o teclado físico de 52 teclas, e é turbinado por um rápido processador SnapDragon 625, rodando sistema operacional Android
7.1. Os funcionários da TLC chamaram o KEYone de "smartphone mais seguro do mundo" já que além do Android ele terá uma camada de segurança adicional da BlackBerry com uma ferramenta de segurança on-phone chamada DTEK.
Em sua terceira versão, o DTEK permite que um usuário verifique rapidamente se os aplicativos estão cumprindo as permissões de segurança que o usuário autorizou. Se um aplicativo tentar acessar a câmera do aparelho para tirar uma foto ou
tentar ligar o microfone, por exemplo, o usuário pode ser alertado.
Agora resta saber se tudo isso será suficiente para fazer as pessoas voltarem a prestar atenção na BlackBerry em um mundo cada vez mais dominado por Samsung e Apple.
Sony se destaca com câmera incrível
No lado dos modelos top de linha, quem mais se destacou no MWC 2017 foi a Sony com o impressionante Xperia Premium XZ, que traz uma tela 4K HDR, processador Qualcomm Snapdragon 835 (ainda não lançado) e uma câmera e tanto, com recursos
como um modo super slow motion e outro que te ajuda na hora de capturar objetos em movimento sem perder nada.
Com um sensor Exmor de 19MP, a câmera do aparelho top de linha da Sony consegue gravar vídeos incríveis com um novo modo de super câmera lenta, com capacidade para registrar 960 frames por segundo, conseguindo um efeito de slow motion 4
vezes mais lento do que o modo padrão de câmera lenta com 240fps e 32 vezes mais lento do que um vídeo normal.
Como é possível perceber no vídeo abaixo, produzido pelo colega americano Jason Cross, editor do Greenbot, site parceiro do IDG Now!, o modo super slow motion do Xperia XZ Premium é realmente insano e proporciona efeitos incríveis em
clipes gravados em diferentes situações.
LG volta ao básico
Após se dar mal com o conceito modular do G5, a LG resolveu apostar em algo mais básico e funcional com o novo G6, apresentado oficialmente no início do último domingo, 26/2.
Logo de cara, é impossível não ignorar o lindo display de 5,7 polegadas (14,5 cm), com tecnologia FullVision e proporção 18:9, em vez de 16:9, usado pela maioria dos aparelhos. Isso significa que, quando visualizado em modo paisagem, a
tela aparece mais larga do que o normal.
O novo smartphone também se distingui por ser o primeiro dispositivo Android a incluir o Google Assistente, assistente de voz que concorre com o Siri, da Apple, além do Pixel phone do próprio Google. Além disso, o G6 também tem display
mais brilhante, e inclui suporte para reprodução de vídeo high dynamic range (HDR). Isso faz com que a filmagem parece mais vibrante e detalhada nas sombras. O novo dispositivo também pode é a prova d’água, podendo funcionar submergido
por até meia hora.
Lenovo faz aposta segura com Moto G5
A Lenovo fez a lição de casa com a nova geração da família Moto mais bem-sucedida do mercado, ao trazer upgrades aguardados de processador, que agora é um Snapdragon octa-core, e em termos de design, que trocou o plástico pelo metal.
Como esperado, as duas versões do novo Moto G5 apresentam algumas semelhanças. Ambas deixam o corpo traseiro de plástico para assumir um elegante design metálico, o que torna os novos aparelhos mais parecidos com a linha Moto Z. O Moto
G5 traz tela Full HD de 5 polegadas, enquanto o seu irmão traz tela ligeiramente maior, com 5,2 polegadas. Os dois estarão disponíveis nas cores prata e dourado.
Os aparelhos apresentam botão físico que também atua como leitor de impressão digital. As diferenças mais cruciais entre os aparelhos dizem respeito a suas fichas técnicas, claro.
Enquanto o G5 traz o processador octa-core Snapdragon 430 da Qualcomm, o Plus sai à frente com o Snapdragon 625. Nenhum deles usa sistema dual em sua câmera Hal 9000, porém a câmera do G5 conta com boa resolução de 13 MP e abertura
f/2.0, e apesar de reduzir sua resolução para 12 MP, o G5 Plus compensa ao apresentar abertura de foco a 1.7. Ambos trazem câmara frontal de 5MP para selfies.
Na próxima semana, mais especificamente no dia 9/3, teremos informações oficiais sobre o lançamento do novo Moto G5 no Brasil, uma vez que a empresa agendou um evento especial sobre o aparelho para esta data.
Huawei impressiona com novo P10, mas preço atrapalha
A Huawei também aproveitou o domingo para impressionar todo mundo o seu novo top de linha P10, que traz foi cocriado com a icônica fabricante de câmeras Leica.
Por isso, mesmo, esse é o maior foco do aparelho. O P10 conta com não uma, mas duas câmeras traseiras: uma de 20MP e outra de 12MP. Já na parte da frente o aparelho traz uma câmera de 8MP. Todas elas possuem recurso de foco automático, e
as câmeras traseiras ainda contam com suporte para gravação de vídeos em 4K e estabilização óptica de imagem.
O smartphone traz ainda uma tela Full HD de 5,1 polegadas, bateria de 3.200 mAh (recarregada via entrada USB-C) e um design bastante fino e leve, com 145 gramas e as seguintes medidas: 145,3mmX69,3mmX6,98mm.
No entanto, o preço alto, de 650 euros para o mercado europeu, pode jogar contra, ainda mais quando Samsung e Apple devem vir com tudo neste ano com o Galaxy S8 e o aguardado iPhone de 10 anos.
Alcatel aposta em case interativo de LED com o novo A5
Já a Alcatel apresentou durante o evento o primeiro smartphone do mundo com um case de LED interativo embutido na parte traseira, o ightup+. Chamado de Alcatel A5 LED, o aparelho conta com uma tela HD de 5,2 polegadas, câmeras frontal de
8MP e traseira de 16MP, 2GB de RAM, processador octa-core Mediatek MT6753, 16GB de espaço para armazenamento e bateria de 2.800mAh.
O painel de LED localizado na parte traseira permite que o usuário “demonstre a identidade” do aparelho, segundo a fabricante. Para isso, é possível personalizar as luzes do case para iluminar diferentes atividades no seu smartphone,
seja para destacar notificações de chamadas, mensagens ou alarmes ou mesmo para acompanhar o ritmo das músicas da sua biblioteca.
Em testes rápidos feitos pelo IDG Now! durante o MWC 2017, as luzes do painel de LED funcionaram como o prometido, mas apenas em ambientes com iluminação mais baixa, vale notar. Quando acionadas em um local com iluminação mais forte, as
luzes ficaram praticamente invisíveis, passando de forma despercebida aos olhos do usuário.
Hisense chama a atenção com duas telas
Por fim, a fabricante Hisense levou para Barcelona o seu comentado smartphone A2, que se destaca por trazer duas telas, sendo uma padrão com Android na parte da frente e outra de e-ink, para ler livros digitais, na parte traseira.
Enquanto o display AMOLED de 5,5 polegadas na parte da frente permite navegar normalmente pelo aparelho, a segunda tela, de 5,2 polegadas e de e-ink, fica localizada na parte traseira e permite ao usuário ler livros digitais de uma forma
mais confortável, por meio do app E-reader, que funciona de forma parecida com o Kindle, da Amazon, por exemplo.
*o jornalista viajou para Barcelona a convite da FS
Mark Zuckerberg anuncia manifesto para construir uma comunidade global. Não é um exagero. Antes fosse
Seria de esperar, após a eleição de Donald Trump, alguma autocrítica por parte dos executivos do Facebook, mais eficiente das ferramentas para a difusão dos boatos e mensagens de ódio que contribuem para a ascensão da ultradireita no
mundo.
Foram anunciadas em janeiro ideias sobre consultar agências especializadas na veracidade de notícias e restringir anúncios pagos em publicações de produtores contumazes de falsidades, até agora com poucos resultados práticos, mas faltava
uma reflexão mais geral sobre o papel da rede.
Na quinta-feira 16, Mark Zuckerberg por fim a proporcionou – e o resultado é tão assustador quanto a própria ascensão da extrema-direita. Nesse manifesto de 6 mil palavras, “Construir a Comunidade Global”, exibe-se a pretensão não de
aperfeiçoar um produto, mas de substituir os quatro poderes, mídia incluída, e ditar o destino do mundo. Alguns excertos:
“Nosso próximo foco será desenvolver infraestrutura social para a comunidade – para nos apoiar, para nos manter seguros, para nos informar, para o engajamento cívico e para a inclusão de todos. A história é a narrativa de como aprendemos
a conviver em números cada vez maiores, de tribos a cidades e nações. Hoje estamos perto do próximo passo. O Facebook propõe-se a construir uma comunidade global. Questiona-se se podemos fazê-la funcionar para todos e se o caminho é
conectar mais ou voltar para trás. Vozes temerosas pedem a construção de muralhas.
Nosso sucesso não se baseia apenas em se podemos capturar vídeos e compartilhá-los com amigos. É sobre se estamos construindo uma comunidade que ajude a nos manter seguros, que previna danos, ajude nas crises e na posterior reconstrução.
Nenhuma nação pode resolver esses problemas sozinha.
Os atuais sistemas da humanidade são insuficientes. Esperei muito por organizações e iniciativas para construir ferramentas de saúde e segurança por meio da tecnologia e fiquei surpreso por quão pouco foi tentado. Há uma oportunidade
real de construir uma infraestrutura de segurança global e direcionei o Facebook para investir mais recursos para atender a essa necessidade”.
O Facebook, conhecido em toda parte por se esquivar de impostos e de responsabilidades legais e morais, propõe-se a exercer em escala mundial funções típicas de um governo – se não também de uma igreja – e ainda monopolizar o acesso à
informação. Se Zuckerberg tivesse anunciado abertamente a intenção de se candidatar à Presidência dos EUA, como chegou a se especular há algumas semanas, seria menos preocupante.
Ganhar bilhões com convencer as pessoas a desnudar a alma na internet e vender informações sobre elas a empresas e políticos já é ruim o suficiente. Enquanto Hillary Clinton conduziu uma campanha pela tevê difundida ao público geral,
Trump baseou-se na rede social para direcionar anúncios a segmentos específicos e testar as reações a pequenas variações.
Propaganda anti-imigração, por exemplo, foi especialmente direcionada aos fãs de The Walking Dead após se constatar uma forte correlação entre xenofobia e o gosto pelo seriado e escondida de setores (latinos, por exemplo) que a
consideravam antipática.
Com esse manifesto o Facebook propõe-se, porém, não apenas a catalogar identidades, opiniões, preferências, relações sociais e comunidades para lucro financeiro ou político de terceiros, mas a moldá-las e administrá-las conforme a visão
da equipe de Zuckerberg, que não presta contas à democracia nem a ninguém, enquanto torna cada vez mais dependente dessa “infraestrutura” a busca de relacionamentos sociais, afetivos e profissionais e até o deslocamento no mundo real:
uma viagem à Florida pode hoje depender da abertura de uma conta na rede social às autoridades dos EUA e estas ficarem satisfeitas com o que virem.
À luz dessa realidade, estes trechos soam ameaçadores: “Em campanhas recentes, dos EUA à Índia, passando pela Europa, vimos vencerem os candidatos com seguidores (no Facebook) mais numerosos e entusiasmados. Podemos estabelecer o diálogo
e a prestação de contas diretamente com os líderes eleitos”. Conforme pergunta uma jornalista do Guardian, Carole Cadwalladr, como reagiríamos se Zuckerberg se chamasse Mikhail e sua empresa fosse sediada em Moscou?
Acrescente-se que, no Brasil, 55% pensam que o Facebook é a internet, assim como 58% na Índia, 61% na Indonésia e 65% na Nigéria, diz pesquisa da revista Quartz de fevereiro de 2015. A maioria dessas pessoas jamais pagará assinaturas
físicas ou digitais de jornais e revistas e aceitará a informação como for apresentada na rede de Zuckerberg.
A possibilidade de descobrir outra coisa nem sequer existe para os mais de 40 milhões de usuários da internet.org, parceria de Zuckerberg com empresas de telecomunicações que oferece conexão grátis limitada ao Facebook e Wikipédia em
vários países da América Latina, África e Ásia.
A seleção dessa informação tem sido baseada em grande parte em usuários dispostos a prestar serviços gratuitos como cobaias, editores e curadores. Os algoritmos sabidamente selecionam o que é apresentado em função de preferências
anteriores, pois os usuários permanecem mais tempo ligados e clicam mais anúncios se não forem tirados de suas zonas de conforto.
Como também é notório, a exclusão de postagens e a suspensão ou expulsão de usuários baseiam-se em critérios ridículos, indiferentes a mentiras, mensagens de ódio e cenas de violência, impiedosos contra imagens de mamilos e nus
artísticos e submissos a qualquer grupo organizado disposto a denunciar em massa quem postar mensagens – na maioria das vezes, feministas ou antirracistas – que lhes desagradem. Como será no futuro?
Zuckerberg conta com inteligências artificiais capazes de assinalar postagens “ofensivas” e capacitar os usuários a fazer sua própria censura: “Onde está seu limite para nudez, violência, imagens chocantes e obscenidades? Você decidirá
suas preferências pessoais. Para quem não tomar uma decisão, a configuração predefinida será da maioria das pessoas de sua região, como em um referendo”.
Quem morar em uma região conservadora, verá apenas mensagens selecionadas por critérios conservadores. Em tese poderá decidir por outros filtros, mas, se acaso conseguir decifrar o funcionamento dos opacos algoritmos da rede, seu
inconformismo logo será óbvio para os demais usuários e as autoridades.
Ao menos caiu a máscara com a qual o Facebook se apresentava como uma plataforma neutra para mensagens de responsabilidade de terceiros. Admitiu uma agenda política com o objetivo de conformar o mundo ao seu gosto e a um ideal
tecnocrático que, tanto quanto o autoritarismo racista de Trump e Le Pen, fede aos anos 1930 e neles foi satirizado por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo. Cabe a quem acredita na democracia desafiá-la e buscar os meios de tirar do
monopólio privado os meios de ditar a opinião e o interesse público.
Drone elétrico da Hoversurf ainda se encontra em fase de protótipo. Companhia diz que veículo poderá ser pilotado por profissionais e amadores
A companhia russa Hoversurf, especializada na construção de drones, demonstrou na última semana uma espécie de moto-drone, que à primeira vista, pode soar perigoso demais para você pensar em usá-lo como meio de transporte no futuro.
Batizado de Scorpion-3, trata-se ainda de um protótipo de hoverbike que combina um drone quadcopter e uma motocicleta.
O drone elétrico comporta uma pessoa e será destinado tanto para pilotos profissionais e amadores, diz a Hoversurf. Uma meta da companhia que se chocaria com questões mais práticas, como obter licença para pilotar um drone desse porte.
O hoverbike ainda usa um software dedicado para limitar a sua velocidade, algo que visa a segurança de seu usuário, caso ele se sinta seguro o suficiente para colocar suas pernas próximas a quatro hélices incessantes.
Diferentes empresas de tecnologia têm trabalhado em protótipos para transportes semelhantes.
Recentemente, o Uber anunciou que está contratando o ex-engenheiro da NASA, Mark Moore, para dar início ao seu projeto de carros voadores, o Uber Elevate.
Atualmente, o plano da companhia é criar uma rede de pequenos veículos elétricos para transportar passageiros em grandes cidades de forma autônoma.
Já a chinesa Ehang apresentou na CES do ano passado seu Veículo Aéreo Autônomo Ehang 184, que consegue transportar uma pessoa de um ponto A a B e a uma altitude de 3.350 metros.
Segundo a companhia, o objetivo é fornecer uma solução de transporte para curtas distâncias e facilitá-las, tendo em vista que os percursos seriam controlados por um aplicativo.











