A nova tecnologia está ficando mais pessoal. Tão pessoal que avança para a conectividade e a análise de nossos movimentos, nossa saúde, nosso cérebro e nossos aparelhos de uso diário, como roupas, automóveis, lâmpadas e eletrodomésticos.
Bem-vindo à chamada "Internet of Me" ou "internet personalizada", um dos principais temas do Salão Internacional CES-2015 de Las Vegas. Mas o desafio que os desenvolvedores enfrentam é fazer com que esta comunicação seja útil.
Cada vez mais invenções expostas no CES se vinculam a formas de cuidar da saúde (como treinadores ou nutricionistas digitais) ou ainda recursos para tirar melhor proveito de carros ou outros dispositivos, comentou Shawn DuBravac, chefe de economia da Associação de Consumidores de Artigos Eletrônicos.
"A chave de tudo isso é que o que ocorre no espaço físico é digitalizado por nós para, em seguida, ser introduzido de volta ao espaço físico", disse. "O foco não está mais no que pode ser feito tecnologicamente, mas, sim, no que é tecnologicamente significativo", acrescentou.
Alguns dos novos dispositivos em exibição incluíram aplicativos para monitorar e melhorar a qualidade do sono, uma mamadeira para medir o consumo nutricional infantil e sensores para analisar as próprias tacadas de golfe e compará-las com a dos profissionais.
Roupas inteligentes, detectores de fumaça conectados, dezenas de novos relógios inteligentes e dispositivos para treinamento físico também estão na mostra. Relógios inteligentes e outros dispositivos eletrônicos "vestíveis" são mais proeminentes na feira do que antes.
Estas novas tecnologias "mantêm a tendência de levar a inteligência ao uso pessoal", disse DuBravac. "Nada se torna mais pessoal do que as peças de uso", acrescentou, referindo-se aos vestíveis. Ele disse que isto representa uma "terceira fase da internet", depois de computadores pessoais e dispositivos móveis, a peças de uso e outros objetos conectados.
"Estamos levando a internet agora de 2 bilhões de smartphones a 50 bilhões de objetos", disse. "A internet está se deslocando para outros lugares, por exemplo o punho. E veremos isto em toda a mostra (...) Não se trata apenas de distribuição e difusão da informação, mas a forma como usamos a internet vai mudar".
Tecnologia em alta
A CES 2015, que oficialmente abre na terça-feira, é uma das maiores feiras de comércio do mundo dedicada à tecnologia, com cerca de 36.000 expositores e um público estimado em 160.000 pessoas.
O evento também apresenta novos aparelhos de TV de tela grande em alta resolução e uma série de drones para uso pessoal e industrial. Também inclui seções para tecnologia robótica e de automação.
A exposição abre em meio a uma confusa perspectiva econômica para a indústria tecnológica global. A Associação de Consumidores de Artigos Eletrônicos (CEA), que organiza o evento, indicou que os gastos em tecnologia aumentaram apenas 1% em 2014 para alcançar 1,024 trilhão de dólares, embora ainda seja muito cedo para saber qual será a tendência para 2015.
O mercado está sendo orientado por uma forte demanda de novos produtos com tablets e telefones inteligentes em economias emergentes na Ásia e por economias de crescimento moderado na América do Norte.
O panorama não está claro devido à estagnação econômica na zona do euro e no Japão e pelas "expectativas frágeis" em grandes economias emergentes, como o Brasil, explicou o analista da CEA, Steve Koenig.
A Rússia, outra grande economia emergente, é atingida por sanções econômicas que poderiam afetar os gastos com tecnologia. A CEA previu uma queda de 5% na Europa e na América do Norte e permanece pouco claro se o resto do mundo tomará seu lugar.
Koenig acrescentou que as vendas de telefones inteligentes e tablets estão crescendo em bom ritmo na China e em outras economias desenvolvidas e a demanda por novos aparelhos de TV está sendo orientada por um "ciclo robusto de atualização" às de "ultra" alta definição.
Lavadora de roupas LG apresentada na CES 2015 vem com mini-lavadora integrada e pode ser controlada por telefone celular
Foto: LG / Divulgação
Primeiro, eram capazes de medir o que fazíamos, agora nos dizem o que temos que fazer. Este ano, relógios e pulseiras que medem passos, o pulso, as calorias queimadas e outros dados foram as novidades da tecnologia usável.
Pulseiras e relógios inteligentes acompanham cada dia mais os amantes da tecnologia. Alguns chegaram a pendurar nas coleiras dos cães medalhões que informam quando os bichinhos estão dormindo demais ou correndo pouco.
Dados coletados por sensores nesses aparelhos são transmitidos para tablets e celulares, cujos aplicativos analisam as atividades de humanos e animais de estimação em função do que deveria ser uma vida saudável.
Esse movimento incipiente do "Eu Quantificado", popularizado este ano, receberá um novo impulso em 2015 com a venda do futuro relógio da Apple, simplesmente batizado de Watch.
"Costumamos nos encantar um pouco mais com as coisas que cuidam de nós mesmos", avaliou o analista Rob Enderle, da empresa Enderle Group, do Vale do Silício, na Califórnia.
Sensores instalados em acessórios usados no nosso dia a dia permitem acompanhar atividades diárias que são, em seguida, analisadas por computadores em centros de dados on-line, que um dia poderão ser capazes de se antecipar às necessidades das pessoas.
Analistas da indústria afirmam que muitas das pessoas que compram pulseiras "fitness" costumam deixá-las de lado meses depois, talvez porque com o tempo ter um aparelho que informe que deram 7.589 passos por dia deixe de ser tão emocionante.
"Os consumidores não se interessam tanto por rastrear seus dados", disse J.P. Gownder, analista da Forrester. "O que querem é informação sobre como ter uma vida melhor", continuou.
Quando o usuário acessa pelo telefone seus e-mails, calendário ou serviços de geolocalização, os servidores da internet colocam este "Eu Quantificado" no contexto, calculando o que agrada a alguém quando está em determinado local, em determinada hora do dia.
"No final desta década, estaremos falando com todos os equipamentos conectados a nós e eles estarão respondendo", previu Enderle.
"Agora, se você quiser se casar com esta tecnologia é outra coisa e depende do seu estado mental", acrescentou.
A brincadeira do analista foi uma referência ao filme "Her" (Ela), em que Joaquin Phoenix interpreta o personagem de um futuro não muito distante que se apaixona por um sensual sistema operacional que utiliza em seus dispositivos eletrônicos.
Os aplicativos que realmente vão se destacar no campo da tecnologia serão aqueles que forem além da medição de atividades fisiológicas e conseguirem fornecer informações com assistentes pessoais que se conectem pela internet a controles de objetos como luzes, aparelhos de TV e termostatos, exemplificou o analista Ben Arnold, da companhia NPD Group.
"Imagine que são 09h00 da manhã e estou dizendo a um amigo que estou com vontade de comer churrasco na hora do almoço", disse Arnold.
"Depois, ao meio-dia, meu relógio inteligente sabe que é hora de comer e recomenda uma churrascaria próxima porque ouviu a conversa pela manhã. Esse é o objetivo", continuou.
A Google poderia alcançar essa meta com seu projeto Deep Mind, dedicado a conseguir com que as máquinas pensem como os humanos, disse o especialista.
Além disso, o software Google Now está projetado para antecipar o que os usuários de dispositivos móveis Android podem querer fazer, como por exemplo notar que alguém tem um e-mail com a confirmação de um novo e, depois, recomendar a hora de sair para o aeroporto, em função do tráfego naquela hora.
O Apple tem seu assistente virtual Siri para iPhones, enquanto a Microsoft desenvolveu o Cortana para ajudar os usuários de aparelhos equipados com o sistema Windows.
A curto prazo, a pressão do mercado estará concentrada em acessórios inteligentes com as pulseiras FitBit e UP, pioneiras no conceito do "Eu Quantificado", que rastreiam os passos, o sono, a comida ingerida e as calorias consumidas.
"Estamos em um momento de grande destruição criativa", disse Gownder com relação a esta tendência. "Oitenta por cento do que vemos hoje em dia provavelmente fracassará de alguma forma. E tudo bem".
Uma pesquisa da Forrester revelou que o interesse por usar sensores, particularmente no pulso, aumentou notavelmente no ano passado.
Titãs como Samsung, Sony, LG, Motorola e Microsoft já lançaram seus relógios inteligentes. Suas capacidades vão além do controle de atividades físicas e permitem fazer ligações, ler e-mails, tirar fotos e interagir com os aplicativos dos aparelhos.
Espera-se que o lançamento do Apple Watch, no ano que vem, impulsione os relógios inteligentes ao campo da cultura dominante, graças ao poder de atração da marca com sede na Califórnia.
"Cada vez que a Apple se mete, o mercado muda radicalmente. A maré cresce e, provavelmente, elevará todos os outros barcos", disse Arnold.
Depois das pulseiras, a tendência seguinte deve ser os óculos inteligentes, como quer o projeto Google Glass. "É o passo lógico seguinte, mas não estou certo de que o mundo esteja pronto para isto", acrescentou o especialista.
A Samsung renovou sua linha de câmeras neste ano ao adicionar modelos mirrorless semi-profissional em sua linha, como a Smart Camera NX 30, uma câmera pequena e versátil. Mas, para aqueles que acreditam que o gadget é uma opção simples, como as tradicionais point-and-shoot, está enganado.
Embora de fácil uso para quem está acostumado a tirar fotos, a câmera não é uma boa opção para quem tira "fotos básicas" (paisagens, família, grupo ou selfie). Ela vem com uma lente removível de 18-55 mm, ou seja, é preciso ter uma noção mínima de angulação, foco, luz e obturador para tirar as fotos.
Avaliada em R$ 3.399 - embora seja possível encontrá-la por R$ 2.999,99 -, a câmera possui 21.6 megapixels e grava em 1080 pixels. Sua capacidade de armazenamento é de 2 GB. Outra vantagem da câmera é o Adobe Lightroom, programa de edição da mesma fabricante do Photoshop, porém mais leve e fácil de ser usado.
A câmera tem basicamente dois problemas para o usuários de primeira viagem: o foco, que é difícil de acertar mesmo no modo automático; e o espaço para fotos - termina muito rápido, com um média de 100 fotos na qualidade média.
Por outro lado chama a atenção da câmera a fácil mobilidade dela, para, por exemplo, tirar e colocar lente. Além das facilidades em conexão Wi-Fi para publicar as fotos nas redes sociais ou mesmo com a conexão Near-Field Communication (NFC) para transmitir as imagens para smartphones, ou mesmo controlar a câmera por um celular - apenas Samsung.
Resumo
A Samsung Smart Camera NX 30 é uma boa câmera. Porém, ela fica no meio termo entre o profissional e o semi-profissional. Quando falamos em câmeras profissionais, é possível comprar modelos reflex monobjetivos digitais (do inglês digital single lens reflex ou DSLR) por preços similares.
Os gadgets DSLR é polarizado pelas empresas japonesas Canon e Nikon. Para se ter uma ideia, a câmera Canon EOS T5 de 18.5 megapixels e lente de 18-55 mm pode ser adquirida por R$ 1.999,99. Já a Nikon D3330 com 24.2 megapixels e também com uma lente de 18-55 mm pode ser a partir de R$ 2.699,00.
Ou seja, se o usuário deseja investir em uma câmera mais profissional, a Smart Camera NX 30 não é a opção desejada.
Agora se a pessoa deseja mais mobilidade, postar e compartilhar fotos nas redes sociais, o gadget da Samsung é uma escolha. Mas ainda assim, não é ideal para o usuário comum, e sim para a pessoa que tem uma pequena noção de como deve se tirar uma foto.
Samsung NX 30
Foto: Henrique Medeiros / Terra
O Google está criando a estrutura básica para uma versão do Android que será integrada diretamente em carros, disseram fontes, permitindo que motoristas aproveitem todos os benefícios da Internet, mesmo sem conectar seus smartphones.
A jogada é um grande avanço ante o atual software Android Auto do Google, que vem com a versão mais recente do sistema operacional de smartphones e que necessita que um telefone seja conectado a um carro compatível com tela integrada para que músicas, mapas e outros aplicativos sejam acessados.
O Google, porém, nunca forneceu detalhes ou um cronograma para seu plano de longo prazo para colocar o Android Auto diretamente nos carros. A companhia agora planeja fazer isso quando lançar a próxima versão de seu sistema operacional, chamada de Android M, prevista para cerca de daqui 1 ano, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.
As fontes não quiseram ser identificadas pois não estão autorizadas a discutir os planos publicamente.
"Isso dá uma base muito mais sólida para que o Google realmente faça parte do veículo em vez de ser um adicional", disse o vice-presidente e líder de práticas automotivas da firma de pesquisa industrial Gartner, que ressaltou não conhecer os planos mais recentes do Google nesta área.
Se bem sucedido, o Android se tornaria o sistema padrão por trás dos recursos de entretenimento e navegação de um carro, solidificando a posição do Google num novo mercado onde compete com a arquirrival Apple. O Google também poderia acessar os valiosos dados coletados por um veículo.
Analistas disseram que o plano do Google pode enfrentar diversos desafios técnicos e de negócios, incluindo o de convencer montadoras a integrarem seus serviços tão profundamente nos veículos.
O Google não quis comentar.
(Por Alexei Oreskovic e Ben Klayman)
O ano de 2014 finalmente chegou ao fim e com ele vieram inúmeras novidades e notícias tecnológicas que abalaram 2014. Projetos para melhorar a internet, gadgets aprimorados e a adoção de tecnologias estiveram dentro do hall de inovações, enquanto falhas de seguranças e ataques também chamaram a atenção dos usuários sobre a necessidade de se proteger.
O Olhar Digital relembra abaixo, os 13 maiores acontecimentos de tecnologia deste ano. Confira:
A compra do WhatsApp e da Oculus pelo Facebook
Em fevereiro, a rede social de Mark Zuckerberg trouxe uma bomba: a compra de nada mais nada menos que o WhatsApp, maior aplicativo de mensagens instantâneas. A negociação ficou em US$ 16 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões na época) sendo destes, US$ 4 bilhões em dinheiro e US$ 12 bilhões em ações do Facebook.
A notícia não gerou só uma enxurrada de piadinhas, mas também preocupou usuários sobre a privacidade e a possibilidade do aplicativo mudar seu sistema de pagamento - o que não aconteceu. Além disso, rumores sobre uma versão web e chamadas de voz foram e voltaram diversas vezes em 2014, sendo que até agora, nenhum deles se confirmou.
Um mês depois, o Facebook pegou muita gente de surpresa e anunciou a compra de outra empresa: a Oculus VR, responsável pelo Oculus Rift. A aquisição custou US$ 2 bilhões à rede social (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) que foram divididos entre dinheiro e ações do Facebook.
O óculos de realidade virtual da Oculus é dos principais modelos no mercado e também um dos pioneiros da tecnologia. Com ele, o usuário pode ficar imerso em um ambiente 3D e conorme ele move a cabeça, o cenário também mexe de acordo. Atualmente, o Rift está disponível por US$ 350 na sua segunda versão para desenvolvedores.
As falhas de segurança Heartbleed e Shellshock
Em 2014, os usuários ficaram expostos a duas falhas de segurança que ficaram conhecidas como "as maiores falhas de segurança da história": a Heartbleed e a Shellshock.
O bug Heartbleed chegou a computadores, tablets e smartphones em abril e era capaz de roubar informações sigilosas como senhas de bancos e serviços na internet. Isso era possível porque a falha atacava o OpenSSL, biblioteca responsável por criptografar os dados transferidos entre usuários e servidores.
Sites conhecidos como o Yahoo, Flickr, Kickass, Steam e DuckDuckGo foram alguns dos endereços que estiveram vulneráveis ao ataque. No Brasil, cerca de 350 sites ficaram expostos ao bug. Para amenizar o problema, gigantes da tecnologia chegaram a se unir e doaram milhões para dar suporte a desenvolvedores de código aberto.
Já a Shellshock (ou Bash Bug) é uma falha mais recente e restrita. Surgido em setembro, o bug afetava o Bash, interpretador de comandos presente no Mac OS e Linux. Com isso, o bug permitia a execução de um código malicioso que deixava o sistema vulnerável a ataques remotos. Algum tempo depois, tanto Linux como Mac receberam pacthes corrigindo a falha.
Desafio do balde de gelo
Um balde com água de gelo nunca foi responsável por tantos banhos gelados e caretas como o Ice Bucket Challenge ou em português, o "Desafio do Balde de Gelo". O desafio consistia em virar um balde de água gelada sobre a cabeça ou doar US$ 100 à ALS Foundation, ONG americana que levanta fundos para o tratamento da esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Não se sabe ao certo como o desafio começou, no entanto, a ideia ganhou força com a participação de celebridades americanas que nomeavam outras pessoas para participar da brincadeira. A repercussão foi tanta que Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, virou o balde e ainda desafiou Bill Gates, fundador da Microsoft.
Além de Zuckerberg e Gates, outros nomes da tecnologia aderiram ao desafio incluindo Satya Nadella, CEO da Microsoft; Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google; e Jeff Bezos, CEO da Amazon.
O desafio gerou tanta comoção que ganhou uma hashtag própria, chegou ao Brasil e trouxe números impressionantes às redes sociais. Segundo a Infobase Interativa, entre 1º e 13 de agosto, foram mais de 2,2 milhões de vídeos no YouTube, mais de 2,2 milhões de menções no Twitter e mais de 15 milhões de interações no Facebook (incluindo comentários, postagens e curtidas).
Eleições e recorde de interações no Facebook
Em 2014, os brasileiros tiveram um novo encontro com as urnas para escolher o presidente do país. Fotos, vídeos, memes, posts tomaram conta das redes sociais. No Facebook, as interações geraram um novo recorde mundial e chegaram à marca de 674,4 milhões entre 6 de julho e 26 de outubro.
No dia da decisão, mais de 49 milhões de publicações tomaram conta das timelines do Facebook, sendo 53,8% delas sobre Dilma Rousseff e 46,2% sobre Aécio Neves.
O volume total de interações ainda representa quase três vezes o registrado nas eleições da Índia (227 milhões de interações), que tem população seis vezes maior que a do Brasil.
A transformação da marca Nokia em Microsoft
Adquirida no ano passado pela Microsoft, a divisão de celulares da Nokia não só passou ao controle da empresa americana, como também sofreu um reposicionamento de marca.
Agora, os celulares da finlandesa não são mais chamados de Nokia Lumia, mas sim Microsoft Lumia. A novidade foi confirmada em abril por Stephen Elop, chefe da área de dispositivos da Microsoft, contudo, só começou a ser colocada em prática em outubro, quando a Nokia na França recebeu o novo nome em seu site oficial e redes sociais.
Consolidação do streaming
Em maio, o Brasil recebeu um dos maiores serviços de streaming de música, o Spotify. O serviço que afirma possuir "mais de 30 milhões de músicas" em seu catálogo chegou nas versões gratuita (com anúncios) e paga, por R$ 14,90, e desde então, já lançou ações e promoções para novos assinantes.
Já no mês passado, foi a vez do Google aderir à tendência e lançar o Google Play Música e o Music Key. O primeiro é o seu serviço de música que também custa R$ 14,90 (R$ 12,90 até meados de janeiro) e o segundo é uma plataforma integrada ao Play Música que exibe vídeos do Youtube no modo offline.
Mas não foi só na música que o streaming ganhou força. Segundo um estudo recente realizado nos Estados Unidos, o Netflix representa 35% do tráfego dos Estados Unidos em horário de pico. Além disso, outros serviços de streaming de vídeo figuram a lista, incluindo o HBO Go, com 1% e o Amazon Video, com 2,58%, sendo que este último cresceu oito vezes nos últimos meses.
Project Loon em expansão
Anunciado em 2013, o Project Loon, do Google, tem como objetivo usar balões para levar internet a áreas remotas. Feitos de plástico inflável e preenchidos com gás hélio, os balões são capazes de voar por 100 dias a alturas de 20km e são equipados com antenas Wi-Fi.
Apesar do projeto ainda ser uma ideia "nômade" - justamente por sua duração curta - o Project Loon ganhou notoriedade em 2014 por realizar grandes façanhas como dar uma volta no mundo em apenas 22 dias. Nessa etapa, o objeto saiu da Nova Zelândia, voou sobre a América Latina e deu uma volta completa ao redor da Antártica sem interrupções.
Além disso, o Loon chegou ao Brasil e ficou em testes por duas semanas, chegando até mesmo a transmitir internet para um escola municipal. Os alunos tiverem sua primeira aula com acesso à internet e usaram ferramentas como a Wikipedia e o Google Earth. O teste ainda marcou a primeira vez que o Projeto Loon usou a tecnologia LTE para conectar pessoas por meio dos balões.
Marco Civil da Internet
Outra iniciativa que procurou melhorar a qualidade da internet foi o Marco Civil da Internet. Sancionado em abril e em vigor desde junho, o projeto de lei criou uma espécie de Constituição para o uso da internet no país.
Em suma, o Marco Civil estipula cinco pontos principais. O primeiro deles é o da liberdade de expressão, afirmando que a internet deve ajudar o brasileiro a se comunicar e se manifestar como bem entender, dentro dos termos da Constuição. O segundo diz a respeito da neutralidade da rede, afirmando que operadoras de internet são proibidas de vender pacotes de internet pelo tipo de uso.
A medida prevê ainda que os provedores de internet e serviços só forneçam informações de usuários por meio de ordem judicial, enquanto registros de conexão devem ser mantidos por pelo menos um ano e, acesso a aplicações, por seis meses. No que diz respeito ao conteúdo postado na internet, o Marco Civil defende que a empresa que fornece a conexão jamais seja responsabilizada. Contudo, caso ela receba um intimação para retirar um material e não o fizer, poderá ser culpada.
Por fim, o último artigo principal diz que administrações federal, estaduais e municipais têm uma série de determinações a cumprir incluindo a garantia de "mecanismos de governança multiparticipativa, transparente, colaborativa e democrática, com a participação do governo, do setor empresarial, da sociedade civil e da comunidade acadêmica".
Sendo assim, os governos devem estimular a expansão e o uso da rede; agilizar processos; usar, preferencialmente, tecnologias, padrões e formatos abertos e livres; dentre outras outras obrigações.
O Marco Civil se tornou um assunto de enorme importância não só pelas mudanças e garantias que oferece, mas também por servir de exemplo como a primeira Constituição do tipo. Diversos países inclusive já manifestaram interesse em usar os moldes do Marco Civil para criar suas próprias leis sobre a internet.
Ataque massivo à Sony
No final de novembro, a Sony Pictures foi alvo de um ataque massivo que tirou do ar sua rede interna, telefones, internet e computadores. O episódio foi assumido pelo grupo hacker Guardiões da Paz (GOP) e pouco tempo depois, diversos documentos sigilosos da empresa foram divulgados.
Filmes inéditos, lançamentos para os próximos anos, e-mails, apelidos de celebridades e até mesmo mais de 47 mil números do seguro social dos Estados Unidos vazaram. A maioria dos arquivos estava salvo em arquivos de Excel e Word sem proteção, o que chamou atenção da imprensa e companhias para a necessidade de um bom sistema de segurança.
A suposta motivação para os ataques seriam o filme "A Entrevista", produção da Sony que conta a história fictícia de dois jornalistas americanos que entrevistam o ditador da Coreia, King Jong-un, com o plano de assassiná-lo em seguida. Especulações surgiram em torna da Coreia do Norte, que teria planejado a invasão em retaliação ao longa.
O governo do país negou participação por meio de um porta-voz e até mesmo os Estados Unidos afirmaram que a Coreia do Norte não estava envolvida. Contudo, algum tempo depois, o governo americano voltou atrás e disse que o país estava sim envolvido.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento polêmico e disse que "a resposta será proporcional", mostrando solidariedade à Sony e seus funcionários. Obama ainda prometeu melhorar a cibersegurança do país em parceria com o setor privado.
O "boom" dos apps de relacionamento
No final de 2013, uma enorme polêmica envolvendo o Lulu, aplicativo que avaliava a performance de homens e o Tubby, a suposta resposta masculina para o app que nunca existiu, fez com que os aplicativos de relacionamento sofressem uma espécie de "boom" em 2014.
Badoo, Grindr, 3nder e Swipe são apenas alguns dos nomes que caíram no gosto do público brasileiro, seja para encontrar pessoas, fazer amizades ou ainda "apimentar" a relação.
O Tinder, um dos maiores do segmento, escolheu ainda o Brasil como um dos países para testar suas funcionalidades premium. Batizada de Tinder Plus, a nova versão conta com a possibilidade de "desfazer" uma rejeição acidental e o Passport, recurso que ajuda encontrar pessoas em outras localidades.
iPhone 6 e #bendgate
Em setembro, a Apple cedeu aos pedidos de usuários e lançou os iPhones 6 e 6 Plus, novas versões do smartphone da maçã que possuem telas maiores: 4,7 e 5,5 polegadas, respectivamente. O display dos aparelhos ainda recebeu a Retina HD, tecnologia que promete mais qualidade e resolução aos modelos.
Os aparelhos também chamaram atenção por outras duas características: o processador A8 e a chegada do NFC. O primeiro possui 64 bits e é 13% menor que o chip A7, oferecendo ainda 20% mais rapidez de processamento. Enquanto isso, a conexão NFC trouxe consigo o Apple Pay, sistema de pagamentos móveis da Apple em resposta ao Google Wallet. Por enquanto, o serviço funciona somente nos Estados Unidos, porém, a Apple espera que em 2015 a novidade seja global.
Mas o verdadeiro atrativo dos novos iPhones foi o #bendgate, episódio em que alguns usuários reltaram que os modelos entortavam depois de algum tempo, principalmente se colocados no bolso. O ocorrido virou motivo de sátira e como esperado, milhares de memes tomaram conta da internet. Nem mesmo a Samsung perdoou.
A Apple se defendeu e disse que apenas alguns usuários relataram problemas com os smartphones. Mesmo assim, a empresa da maçã prometeu trocar todos os aparelhos que tivessem entortado.
IPO da Alibaba
Em setembro, a rede de e-commerce Alibaba anunciou sua entrada na bolsa de valores. A previsão inicial era de que a oferta pública inicial (IPO) chegasse a US$ 21 bilhões, no entanto, a empresa superou as expectativas e alcançou US$ 21,8 bilhões.
A IPO fez com que a Alibaba ultrapasse outros gigantes como o Facebook, Visa e General Motors. Enquanto isso, seu valor de mercado foi definido em US$ 167,7 bilhões, deixando para trás o eBay (US$ 67 bilhões) e a Amazon (US$ 150 bilhões).
Com a abertura de capital, Jack Ma, o fundador e CEO da Alibaba, se tornou o maior bilionário da China, somando uma fortuna estimada em US$ 20,4 bilhões.
Relógios inteligentes
2014 foi, sem dúvidas, o ano dos relógios inteligentes. A Apple lançou o Apple Watch, tão esperado smartwatch da maçã, enquanto outros cinco modelos foram apresentados ao mercado.
LG, Motorola e Asus anunciaram o G Watch, Moto 360 e o Zen Watch, respectivamente, enquanto pessoas de fora da indústria da tecnologia também entraram na brincadeira. Foi o caso do rapper americano Will.I.Am, que resolveu lançar seu próprio relógio inteligente, o Puls.
Mas a grande novidade ficou por conta do Android Wear, versão do Android para vestíveis. O sistema conta as mesmas funções do Android para smartphones e tablets como os aplicativos e o Google Now, além de possuir integração com outros dispositivos, como o Chromecast.











